
Técnicas modernas na cirurgia de prótese de quadril
A cirurgia de prótese de quadril mudou muito nas últimas décadas. Hoje ela combina acessos que preservam mais os músculos, implantes mais duráveis, planejamento digital e protocolos que colocam o paciente para caminhar logo após a operação. O resultado é uma recuperação mais rápida e uma prótese que pode durar mais de duas décadas.
Quem explica as principais novidades é o Dr. Rafael Flores Zavareze, ortopedista com especialização em Patologias do Quadril pelo INTO/RJ (CRM-SC 17180, RQE 9212) e sócio da Incot, em Florianópolis.
O que mudou na cirurgia de prótese de quadril?
A artroplastia total do quadril é considerada uma das cirurgias de maior sucesso da ortopedia. A ideia central continua a mesma: substituir a cabeça do fêmur e o acetábulo desgastados por componentes artificiais. O que evoluiu foi a forma de chegar à articulação, os materiais usados, a precisão no posicionamento dos implantes e o cuidado com o paciente antes e depois da cirurgia.
Vias de acesso: posterior, lateral e anterior
A via de acesso é o caminho que o cirurgião usa para alcançar o quadril. As mais usadas são a posterior, a lateral e a anterior direta. Todas são seguras e têm bons resultados quando bem indicadas.
A via anterior direta ganhou espaço nos últimos anos porque trabalha entre os músculos, sem precisar desinseri-los. Uma revisão publicada na revista Annals of Joint em 2018 apontou que, nas mãos de cirurgiões experientes, essa via está associada a menos dor, menor uso de opioides, internação mais curta e mobilidade melhor nas primeiras semanas, quando comparada às vias posterior e lateral.
É importante saber que a melhor via é a que se adapta ao seu caso. Anatomia, peso, cirurgias anteriores e o tipo de doença influenciam a escolha, que deve ser feita junto com o cirurgião.
Implantes e materiais mais duráveis
Os componentes da prótese podem ser fixados ao osso com cimento ortopédico ou por integração direta, quando o osso cresce sobre a superfície porosa do implante. A escolha depende principalmente da idade e da qualidade óssea do paciente.
A superfície onde a cabeça da prótese desliza também evoluiu. A combinação de cabeças de cerâmica com polietileno altamente reticulado (cross-linked) reduziu bastante o desgaste do material ao longo dos anos, um dos principais motivos de revisão das próteses antigas. Um estudo publicado na BMC Musculoskeletal Disorders em 2023 acompanhou esse tipo de par por até 10 anos e encontrou taxas de desgaste baixas.
Na prática, isso se reflete na durabilidade: segundo revisão publicada na The Lancet em 2019, cerca de 58% das próteses totais de quadril continuavam funcionando 25 anos após a cirurgia, de acordo com dados de registros nacionais.
Planejamento digital e cirurgia robótica
Antes da cirurgia, o planejamento feito sobre radiografias digitais ou tomografia ajuda a escolher o tamanho dos componentes e a corrigir a diferença de comprimento entre as pernas. Em alguns centros, a navegação e os sistemas robóticos auxiliam o cirurgião durante a operação.
Uma revisão guarda-chuva publicada no Journal of Robotic Surgery em 2026 concluiu que a assistência robótica melhora a precisão do posicionamento do componente do acetábulo, reduz a diferença de comprimento entre os membros e diminui as complicações de curto prazo. Por outro lado, a cirurgia dura em média 16 minutos a mais, e não houve diferença nas taxas de revisão da prótese. A robótica é uma ferramenta a mais, e não substitui a experiência do cirurgião.
Recuperação rápida e mobilização precoce
Uma das mudanças mais perceptíveis para o paciente está no pós-operatório. Os protocolos de recuperação acelerada combinam:
- Preparo antes da cirurgia, com orientação e, quando possível, fortalecimento muscular
- Anestesia e controle de dor modernos, que reduzem o uso de opioides
- Início da caminhada com andador logo após a cirurgia, em geral no mesmo dia ou no dia seguinte, conforme a avaliação da equipe
- Fisioterapia precoce e alta hospitalar assim que o paciente caminha com segurança
Com isso, a maioria dos pacientes retoma as atividades leves do dia a dia em poucas semanas, sempre com acompanhamento da equipe.
Perguntas frequentes
A cirurgia minimamente invasiva é sempre melhor?
Não necessariamente. Incisões menores e vias que preservam músculos ajudam na recuperação inicial, mas o fator mais importante para o resultado a longo prazo é o correto posicionamento dos componentes e a técnica bem executada.
Quem pode fazer a prótese de quadril com essas técnicas?
A indicação é individual. Veja os critérios no artigo artroplastia do quadril: quando é necessária e converse com o especialista sobre qual técnica faz mais sentido para você.
Prótese de quadril em Florianópolis
Se você recebeu indicação de prótese ou convive com dor no quadril por artrose, uma consulta com especialista ajuda a entender as opções e a planejar a cirurgia com segurança. O Dr. Rafael Flores Zavareze atende na Incot, na Av. Mauro Ramos, 901, Centro, Florianópolis. Agende pelo telefone (48) 3222-0901 ou saiba mais sobre prótese de quadril na Incot.
Referências
- Barry JJ, Masonis JL, Mason JB. Recovery and outcomes of direct anterior approach total hip arthroplasty. Annals of Joint, 2018. Disponível online
- Evans JT, et al. How long does a hip replacement last? The Lancet, 2019;393:647-54. Resumo no NIHR
- How is hip anatomy reconstruction and inlay wear associated up to 10 years after primary THA using ceramic on highly crosslinked polyethylene bearings? BMC Musculoskeletal Disorders, 2023. Disponível no PubMed Central
- Umbrella review sobre artroplastia total do quadril assistida por robótica. Journal of Robotic Surgery, 2026. Resumo dos autores



